quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Produção de etanol utilizando plantas aquáticas de represas



Resultado de imagem para aguapé

Defesa  de tese do meu orientado de doutorado do Programa de Pós Graduação em Biocombustíveis da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. O aguapé, abundante em lagos e represas de abastecimento público e de hidrelétricas é uma excelente matéria prima para produção de etanol de 2a geração, ou seja, o etanol derivado de celulose. Planta de rápido crescimento e que atua na purificação de água pois tem o potencial de reter material orgânico e metais em suas raízes. Uma planta considerada invasora sendo alternativa para produção de combustíveis renováveis. Acesso a tese pelo link:

https://www.luminpdf.com/viewer/5ddeb9488ce7da0019af7d16





quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Resíduos sólidos urbanos: emprego, renda, energia, adubo

Realizamos a palestra na UNEC de Nanuque/MG : GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS E SUAS IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS. Com a visão correta das prefeituras podemos gerar muitos empregos, renda, energia e produção de fertilizantes orgânicos de excelente qualidade e de quebra conseguir recursos internacionais com a venda de crédito de carbono, colocando o município na vanguarda da gestão dos resíduos sólidos no Brasil.  As prefeituras estão sem recursos então, que tal gerar renda, energia e receita além é claro, de fazer a gestão correta dos resíduos sólidos urbanos? Com a adequação correta é perfeitamente possível, bastando acreditar no projeto e ter vontade política.










sábado, 9 de novembro de 2019

As mudanças das leis da mineração e as ações das empresas

Defesa de dissertação de Mestrado da minha orientada Tamila. Caliman no curso de mestrado Tecnologia, Ambiente e Sociedade da UFVJM. Discutimos as mudanças nas leis de mineração após as tragédias de Mariana e Brumadinho e as alternativas que as empresas estão apresentando nos licenciamentos em relação as barragens tradicionais a montante com tratamentos mais avançados dos rejeitos. Foram necessárias quase trezentas mortes para mudar o sistema.


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Tragédia de Mariana, quatro anos: As mortes e os rejeitos


Resultado de imagem para tragedia de mariana

Mais um aniversário da tragédia do rompimento da barragem de rejeitos de Mariana em Minas Gerais. Uma barragem com talude alteado a montante (vergonha das leis e das pessoas que as fazem e que autorizavam este tipo de talude de barragem), dezenas de milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração fluindo por um vale com centenas de moradores e trabalhadores da própria empresa, ausência de uma sirene de alerta sobre rompimento e a consequência disto tudo: dezenove mortes, destruição total de distritos, de barragens geradoras de energia elétrica, do meio ambiente e de rios, incluindo o Rio Doce, e seus 870 quilômetros, além é claro, de grande extensão do litoral do Espírito Santo.  Em pleno período seco (as chuvas ainda não haviam chegado, mas o calor já ultrapassava os 35 graus), centenas de milhares de pessoas sem água para saciar a sede. Briga pela água distribuída, roubo de água nas ruas e caminhões pipa escoltados por carros da polícia militar em Governador Valadares. O desespero e a loucura coletiva instalaram na cidade. Com o Abastecimento suspenso, pessoas coletando água contaminada do próprio rio Doce, colocando em tonéis para o rejeito decantar para o fundo e utilizando a água sobrenadante. Outras coletando água de drenos de dentro de córregos urbanos na cidade que são verdadeiros valões a céu aberto pois recebem parte do esgoto da cidade. Lembrando que nas primeiras análises dos rejeitos passando por Governador Valadares, os níveis de arsênio na água foram extremamente elevados e o arsênio é um metal pesado altamente tóxico para os seres vivos e para o homem. Devido ao excessivo calor e a falta de chuvas, a vazão do rio estava reduzida e os peixes mortos e outros animais aquáticos iniciou-se rapidamente a decomposição dos animais e o mau cheiro no rio tornou-se insuportável. Resumo da vida das pessoas na maior cidade da bacia do Rio Doce: um calor ardente, sem água, um ar com mau cheiro muito grande e os conflitos pela água.
Quatro anos para não esquecer. Quatro anos para relembrar todos os anos. Relembrar é sempre muito importante para evitar que novas tragédias iguais aconteçam e que nossos políticos possam discutir melhor as leis que regem a mineração no Brasil. Aprenderam com a tragédia de Mariana? Não. Brumadinho está aí para provar que mudar leis não é fácil, mesmo com a destruição da bacia do rio Doce e as mortes em consequência do rompimento em Mariana. Por que esta dificuldade para alterar as leis? Será que podemos adivinhar? Deixo para cada um. Com a tragédia de Brumadinho e mais de 250 mortes, parece que acordaram e as leis foram alteradas. As próprias empresas de mineração estão tomando providências porque elas próprias perceberam que passaram dos limites e como está não pode ficar. No próximo artigo vamos conversar sobre o rio Doce. Como ele está? Está tudo normal novamente? Acho que não.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Eficiência dos políticos e da gestão pública sem politicagem

Imagem relacionada

Ser político é muito mais que fazer política. Muitos querem entrar na política pelo poder que a atividade teoricamente dá ao indivíduo, o controle do sistema e sem contar, outros benefícios.  Viajam para capital para reunião com o governador, para Brasília, como presidente e ministros, tiram fotos, fazem selfies, publicam nas redes sociais, falam de planos futuros, projetos, mas que, muitas vezes, não saem do papel. Não enxergam perspectivas e oportunidades e apenas observam a sua cidade minguando a cada dia com as receitas cada vez mais reduzidas, não conseguindo, em muitos casos pagar o básico; o salário dos seus servidores e os serviços básicos que um município precisa. Com isto os jovens da cidade sem perspectiva, procurar novas oportunidades fora, nos grandes centros e as cidades de origem arrecadando cada vez menos.
Paralelo a isto o Brasil está abrindo as fronteiras para o comércio exterior. Aberturas com a China em relação a carne e a produtos lácteos, União Européia e recentemente os Emirados Árabes que disponibilizou 10 bilhões de dólares de seu fundo financeiro para investimentos no Brasil em infraestrutura. Internamente, corte de juros, o compartilhamento dos recursos do pré sal, as mudanças nos regimes tributário, fiscal, dentre outros. Se as perspectivas são positivas somente o tempo dirá e se soubermos nos adequar a esta nova realidade nacional.
Vejo muitos municípios do Estado com grande potencial para se inserirem nesta nova realidade econômica, que poderiam ser muito mais do que são hoje, com índices de desenvolvimento humano que não condizem com seu verdadeiro potencial. Pelo seu tamanho territorial, seu potencial produtivo, sua proximidade com os modais viários, sua localização geográfica, sua condição climática, de solos, topográfica, sua proximidade com centros educacionais e seus recursos naturais. Apesar dos seus diversos aspectos favoráveis ao desenvolvimento sustentável e a industrialização, muitos continuam sem perspectivas de crescimento e desenvolvimento. É neste momento que surge o verdadeiro gestor público, ou o político eficiente. O seu papel é pensar e saber coordenar projetos e ações que sejam modelos para a melhoria da qualidade de vida da população.
As eleições municipais estão chegando, novamente. Vamos eleger gestores que tenham projetos concretos, viáveis e que incluam planos desenvolvimentistas para a região. Chega de acreditar em palanque com discursos de saúde para todos, educação para todos, segurança para todos, emprego para todos. Onde está o projeto? Como será realizado? De onde virão os recursos? Temos que apostar em líderes políticos que saibam de verdade conduzir os processos de desenvolvimento regional, caso contrário, o processo se torna apenas politicagem.

domingo, 20 de outubro de 2019

Como desenvolver as regiões do Estado cercadas pela pobreza?

Resultado de imagem para regioes ricas e pobres

Já observaram o mapa de Minas Gerais e seus municípios; as desigualdades regionais que existem? O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é a melhor forma de avaliar a situação dos municípios e suas classificações de desenvolvimento considerando diversos aspectos como renda, educação e expectativa de vida. Atualmente, 73% das cidades de Minas Gerais apresentam IDH médio ou baixo. Devido a sua extensão e diversidade, o Estado é dividido em 12 mesorregiões. Cada uma delas com sua, digamos, “capital regional”. Geralmente são as cidades mais desenvolvidas da região. Mas, existe uma outra divisão: as microrregiões, situadas dentro das mesorregiões. Cada uma das microrregiões tem a sua cidade de referência.  As cidades polos das mesorregiões apresentam uma melhor atividade econômica e qualidade de vida, onde todos querem viver e trabalhar. Isto acontece porque as cidades satélites, do entorno das cidades polos, não tem muito a oferecer, principalmente para os jovens. Com isto as cidades perdem população, perdem renda, perdem em qualidade de vida, sobrevivendo principalmente das aposentadorias dos mais velhos e inativos e do bolsa família. Existem cidades de Minas onde mais de 60% das famílias são beneficiárias do bolsa família. Importante para o combate a pobreza, mas não cria qualquer expectativa desenvolvimentista, forçando os jovens a migrar para as cidades polos da região e até mesmo outras cidades distantes. Vamos avaliar a microrregião de Governador Valadares. Esta microrregião é composta por 25 municípios e uma população total estimada em 416 mil habitantes. Somente o município de Governador Valadares, possui, segundo o IBGE, em 2019, 280 mil habitantes. Sobram 136 mil habitantes para 24 cidades, com uma média populacional de 5.670 habitantes. Cidades que nas últimas décadas tem perdido sua população jovem, ficando apenas os aposentados e recebedores do bolsa família. 


É claro que a visão dos governantes municipais está voltada para o seu município; para sua população, para os seus eleitores, mas onde estão o governo do Estado e os nossos deputados estaduais que seriam os responsáveis para equilibrar estas distorções? E as ações e o fortalecimento das associações de municípios que agrupam os municípios destas micro e macrorregiões? O IDH mostra com clareza estas distorções regionais. Governador Valadares, uma cidade polo de IDH considerado alto, cercado por municípios de IDHs médios e baixos.  Parece bom mas não é. A migração para as cidades polos causam grandes distorções no atendimento de saúde, marginalização da população migrante, crescimento e aglomeração dos bairros pobres, violência, sub emprego e outros problemas. A falta de planejamento regional e microrregional do Estado e execução de ações de desenvolvimento é visível. Se continuarmos neste ritmo muitas pequenas cidades do estado tendem a desaparecer, considerando que mais de 80% dos municípios de Minas não são capazes de se manter apenas com suas receitas, sendo dependentes das verbas estaduais e federal.  Se não houver ação concreta dos nossos gestores, as distorções tendem a piorar.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Brasil:ser desenvolvido não é para qualquer um; só os fortes

Resultado de imagem para nacao brasileira

Durante décadas o Brasil luta para entrar no rol dos países desenvolvidos e continua lutando.  Um país desenvolvido apresenta uma economia forte, uma legislação de investimentos consolidada, um modelo de gestão política sensato, onde suas distorções entre o setor público e privado praticamente não existem, onde o cidadão está no centro das atenções do poder público. Infelizmente no Brasil tudo isto é uma grande utopia. Não estamos falando deste ou daquele governo, mas do conjunto da obra ao longo de décadas de gestão.
Somos o país com um dos piores índices de distribuição de renda, o chamado índice GINI, onde poucos ficam com a maior fatia das receitas produzidas no Brasil e são multimilionários enquanto a grande maioria ganha pouco e vive na pobreza. Somos o país onde o salário mínimo é de mil reais e onde uma fatia dos funcionários do setor público tem salários acima (muito acima) de cem mil reais por mês (lembrando que, no papel, o teto seria de 39 mil reais). Somos o país que, com ou sem política de desarmamento, mais tem assassinatos por arma de fogo por ano no planeta, em números absolutos, superiores aos de países em guerra. Somos o país onde os presos continuam a comandar seus negócios de dentro das penitenciárias e onde uma grande quantidade deles possui celular. Somos o país que ainda despeja mais de 70% de seu esgoto nos rios poluindo suas águas e que utiliza esta mesma água para tratar e colocar de volta nas residências. Somos o país que adia indefinidamente a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, por conta disto, mais da metade de seus resíduos continuam indo para os lixões contaminando o ar, o solo e as águas com seu chorume e elementos minerais contaminantes. Somos o país que experimentou (e ainda experimenta) durante décadas as tragédias do rompimento de barragens de rejeitos da mineração construídas a montante com dezenas de mortos mas nunca proibiu a sua implementação (somente agora que o número atingiu as centenas de mortos).
Somos um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza com descreve a música do Jorge Benjor, onde temos o carnaval em fevereiro, o fusca e o violão. Um país da alegria e da simpatia. Uma música da década de setenta, estimulante e exaltando o Brasil e os brasileiros. Que vontade de viver neste país aparentemente utópico.  

sábado, 21 de setembro de 2019

Mestrado Tecnologia, Ambiente e Sociedade/UFVJM

Edital nº. 07/2020, de 16 de setembro de 2019.

Seleção de candidatos às vagas ofertadas para o curso de Mestrado Profissional do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Tecnologia, Ambiente e Sociedade  da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Campus Teófilo Otoni, para o PRIMEIRO semestre acadêmico do ano de 2020. O edital pode ser acessado nos sitas descritos abaixo.


 




domingo, 15 de setembro de 2019

O complexo desafio do desenvolvimento municipal (1ª parte)

Resultado de imagem para desenho de prefeitos


Estamos vivendo um momento de crise no país, crise que teve início em 2014 e que, até o momento, teima em não partir. Uma crise que atinge todos os seguimentos incluindo o econômico, social e o político. Há anos apresentamos índices negativos no nosso produto interno bruto que é a soma das riquezas produzidas por um país, e no rastro desta situação o desemprego que leva milhões de pais de família ao desespero, por não conseguir cuidar de sua família. Alguns aposentados que ganham apenas um salário mínimo, veem crescer o número de agregados na família e a obrigação de sustenta-los e forçando a queda da renda per capta. Milhares de pequenos municípios brasileiros sobrevivem das rendas vindas das aposentadorias e bolsas família e que ajudam minimamente o comércio local. E os prefeitos, o que estão fazendo nesta crise, além de implorar recursos atrasados dos governos Estaduais e Federal?
 É neste momento que o verdadeiro gestor municipal se sobressai aos demais. É claro que, por mais criativo que um prefeito seja, a capacidade de muitos municípios é limitada para sair do buraco sozinho. Neste momento deveriam entrar em ação os consórcios intermunicipais. Temos espalhados pelo Brasil diversos consórcios regionais para diversas questões como saúde, educação, segurança, dentre outros. As propostas coletivas e o senso comum são integralmente favorecidos quando os municípios abrem mão da individualidade e trabalham juntos, visando o benefício de todos, sem perder a autonomia política. A crise é interna mas os mercados internacionais estão se abrindo com a formatação de acordos e a queda de barreiras tarifárias. A Europa com seus 600 milhões de habitantes, a China com 1,3 bilhão de habitantes estão abrindo seus mercados para os produtos brasileiros de forma mais expressiva. As regiões devem investir em suas vocações e buscar o mercado externo. Os municípios deveriam seguir os exemplos cooperativistas que se fortalecem através da união.  Não adianta um produtor de leite querer receber três reais pelo litro de leite na fazenda e este mesmo leite custar ao consumidor cinco reais. O mercado não vai absorver e a lei da oferta e da procura será cruel com o produtor. E o mercado externo? O leite em pó, os produtos lácteos de qualidade, com certeza terão mercado lá fora. Os fiscais da vigilância sanitária destes países visitam o Brasil frequentemente, liberando ou não a indústria brasileira a exportar para seus países.
Mas, e os municípios, como eles devem se reestruturar individualmente para sair da crise, independente da situação do país? Como se estruturar para atrair mais investimentos, empresas dos diversos setores,  empregos de qualidade e que possam aquecer o comércio e a economia de um município? Vamos iniciar esta discussão no próximo artigo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

As queimadas, os desmatamentos e a insanidade das redes

Resultado de imagem para queimadas na amazonia Resultado de imagem para paraiso biblico


Há alguns anos atrás, olhando as manchetes nas redes sociais me deparei com o título de uma matéria de um importante veículo de comunicação que dizia o seguinte: “As águas subterrâneas na bacia do Rio Doce estão contaminadas por metais pesados devido ao rompimento da barragem da Samarco”. Fiquei assustado por que acompanho todo este processo aqui de Governador Valadares desde 2015 e as informações técnicas que tenho acesso pelos órgãos gestores das águas e em nenhum momento foi abordado isto. Entrei na matéria para ler e, para minha surpresa, alguém abriu um poço freático a aproximadamente 500 metros do rio Doce e ao realizar a análise da água, descobriu elevadas quantidades de ferro e alumínio. A partir desta análise, alguém concluiu que estes elementos são metais pesados e que foram transportados pela infiltração dos rejeitos da Samarco. Fiquei chocado considerando que a composição mineralógica da região é esta e os nossos solos aqui são ricos em ferro, alumínio, manganês e que devido a fatores hidrogeológicos os elementos são disponibilizados nas águas, principalmente as subterrâneas. Em mais de 90% dos poços abertos na região, mesmo antes da tragédia do rio Doce em 2015, os níveis de ferro, alumínio e, em alguns casos também o manganês, são elevados necessitando, muitas vezes, da instalação de filtros.
Este é apenas um de dezenas de milhares de exemplos de notícias das redes sociais. Infelizmente, as redes sociais que deveriam servir como rede de informação estão atuando como rede de desinformação e fakenews. Estamos vivendo uma guerra entre a extrema esquerda e a extrema direita, principalmente nas redes sociais e as informações sérias, baseadas em fatos concretos e científicos estão sendo deixadas de lado. Até mesmo grandes pesquisadores estão sendo infectados pelo vírus da polarização ideológica. O foco agora é a Amazônia, suas queimadas e desmatamento.
Temos um histórico de destruição ambiental desde a época de nossa descoberta, assim como a própria Europa, Estados Unidos e outras partes do planeta, tudo em busca dos preciosos recursos naturais visando o desenvolvimento. O estimulo a ocupação do Cerrado na década de 70 e a construção da transamazônica na mesma década tinham estes objetivos, considerando que o Brasil descobriu a sua vocação para o agronegócio. O desmatamento sempre ocorreu na Amazônia, o que muda é a sua intensidade e formas efetivas de se avaliar para que ações governamentais sejam tomadas visando coibir um processo que, em algum momento, poderá tornar impossível a resiliência da floresta. Quando isto irá acontecer? Os especialistas descrevem deste a alguns anos até alguns séculos? Quem está certo? Quem é o dono da verdade? Ninguém. O que podemos afirmar é que, se nada for feito, em algum momento isto irá acontecer.
 Precisamos (e muito) de ajuda internacional para mantermos a maior floresta tropical do mundo de pé, mas sem abrir mão da nossa soberania e para isto, o diálogo é o melhor caminho. Este compromisso dos países desenvolvidos teve início na Rio92, formalizado no protocolo de Kyoto em 1997 e renovado a cada reunião mundial onde as nações se reúnem para discutir o clima no planeta. Conseguir equacionar os interesses econômicos, sociais, ambientais nestas reuniões não é fácil, mas é o caminho.
Falo durante as minhas aulas que ser formador de opinião não significa que o aluno deva aceitar a opinião única e exclusiva do professor em sala. E se ele for de extrema esquerda ou extrema direita?? Temos que ensinar as pessoas a pensar com base em informações reais e chegar as suas próprias conclusões. Isto vale para todos nós que buscamos informações nas redes. Bom senso, esta é a palavra!

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Agrotóxico: herói ou vilão (2a parte)


Resultado de imagem para embalagem de agrotoxico


Vamos continuar a discussão sobre agrotóxicos de forma que você leitor chegue a sua própria conclusão. O comparativo com os remédios é muito importante pois eles fazem parte do nosso dia a dia. Vamos ao médico, adquirimos e utilizamos os remédios, diferentes dos agrotóxicos onde a grande maioria da população nunca viu uma embalagem de agrotóxico, ou leu a sua bula ou viu uma aplicação (correta) no campo. Mas vamos continuar o nosso paralelo entre os remédios e os agrotóxicos.
Uma frase muito famosa diz que “a diferença entre remédio e veneno é a dose utilizada” e está certa na sua quase totalidade. Dependendo da doença as pessoas são obrigadas a utilizar remédios de elevada toxidade com uma série de efeitos colaterais no organismo. O médico irá avaliar o custo-beneficio do uso do remédio. Se continua ou se troca por outro, caso tenha no mercado, caso contrário, o cidadão deverá continuar com o remédio recomendado. Digamos que o remédio foi recomendado para ser consumido apenas um comprimido por dia e, em um momento de grande angustia e depressão o indivíduo resolve ingerir 20 comprimidos de uma vez e, por conta da intoxicação aguda foi a óbito. De quem é a culpa? Do médico que receitou o remédio? Do remédio devido a sua periculosidade ou do indivíduo que tomou 20 comprimidos por conta própria? O médico não tem como controlar o que seu paciente faz, se vai ou não tomar os remédios de acordo com a recomendação. Se o controle fosse neste grau, o indivíduo teria que se deslocar todos os dias para o consultório médico para pegar um único comprimido ou recebe-lo em casa, processo de baixa viabilidade. Neste caso a culpa não é do remédio mas do paciente que não cumpriu com o recomendado.
No caso dos agrotóxicos acontece a mesma coisa, mas com alguns agravantes. Como descrevemos no artigo passado, o agrotóxico não pode ser adquirido nas lojas sem o receituário agronômico emitido e assinado por um Engenheiro Agrônomo. Nele o produtor encontra todas as informações sobre como aplicar, onde aplicar, quando aplicar, a preparação da calda, os cuidados que deverá ter durante o preparo e a aplicação, dentre outros fatores. Diferente dos remédios que já vem nas concentrações certas para consumo, o agrotóxico é adquirido de forma concentrada e a calda deverá ser preparada na propriedade rural, sendo este o nosso primeiro grande problema. Pode ocorrer do produtor rural no campo preparar uma calda mais concentrada do que o recomendado, fato que pode gerar problemas de resíduo de produto químico na planta ou no fruto. Outro ponto problemático é o chamado período de carência, tempo necessário para que o produto químico atue sobre o alvo e seja degradado no ambiente sem deixar resíduos. Este tempo envolve o prazo da aplicação do agrotóxico até a colheita do produto, ou seja, um inseticida aplicado hoje no tomate e com período de carência de 10 dias, este tomate não poderá ser colhido antes dos 10 dias da aplicação, mas infelizmente isto não acontece. Muitas vezes no campo, devido a oscilação dos preços, o produtor colhe o fruto antes de terminar o período de carência, e a consequência disto é um fruto com resíduos de agrotóxicos na gondola do mercado. E a culpa disto? Do agrotóxico que não foi utilizado corretamente, da receita agronômica e do Engenheiro Agrônomo que receitou corretamente ou do produtor que não seguiu as regras do receituário agronômico? Como resolver isto? Veremos no próximo artigo.


sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Agrotóxico: herói ou vilão? (1ª parte)

Resultado de imagem para agrotoxicos

Acompanhamos nos últimos meses pelos noticiários que o ministério da agricultura liberou centenas de novas marcas de agrotóxicos para o mercado. Mas, o que isto significa? Quais as implicações para o nosso sistema de produção agropecuário, florestal, e para o meio ambiente? Por que os agrotóxicos são tão temidos pela sociedade? Para respondermos estas e outras perguntas precisamos entender questões básicas sobre a complexidade que envolve o agronegócio brasileiro, a preservação ambiental e a nossa saúde. Vamos começar como o nome oficial: agrotóxico. A palavra realmente é adequada pois se trata de um produto químico voltado para eliminar insetos, plantas invasoras, microrganismos e que realmente é tóxica ao homem se manipulado de forma errada. O nome assusta e intimida, induzindo as pessoas que lidam com os produtos a faze-lo de forma cuidadosa. Para os profissionais das ciências agrárias o termo defensivo agrícola é o mais adequado para estes produtos químicos.

Vamos agora realizar um paralelo entre remédios para uso humano e os agrotóxicos. Centenas de remédios de tarja vermelha e de tarja preta vendidos nas drogarias e farmácias só podem ser comercializados com a receita médica por conta de diversos fatores como sua toxidade ou por promover a resistência de bactérias e outros microrganismos ou por causar dependência química. Outras centenas de remédios podem ser comercializados sem receita médica devido a sua baixa toxidade, podendo qualquer cidadão consumi-los durante a auto medicação.  No caso dos agrotóxicos químicos sintéticos comerciais, não podem ser comercializados (em nenhuma hipótese) sem a emissão do receituário agronômico emitido por um Engenheiro Agrônomo que está prestando o assessoramento no campo ou pelo Engenheiro Agrônomo que trabalha na loja de insumos agropecuários. Neste receituário temos diversas informações como o nome do dono da propriedade, local de aplicação, cultura a ser aplicada, tamanho da área, dentre outras informações.

Quando você se dirige a uma farmácia ou drogaria para adquirir um remédio, com ou sem a obrigatoriedade da receita médica, o balconista oferece ao cliente a marca famosa e oferece também como opção o seu genérico. O remédio genérico tem a mesma composição química do remédio famoso, mas com a opção de ser de baixo custo. Existem casos de alguns genéricos serem 90% mais baratos quando comparados as marcas famosas. No caso dos agrotóxicos recentemente liberados no Brasil, a sua quase totalidade é composta de agrotóxicos genéricos, princípios químicos já existentes e largamente utilizados no país. Esta abertura, assim como para os remédios, coloca à disposição dos produtores rurais produtos de menor custo, gerando liberdade de escolha pelo produto mais barato.

No próximo artigo continuaremos com a discussão sobre os aspectos positivos e negativos dos agrotóxicos. Até lá.

A importância dos parques municipais nos centros urbanos


terça-feira, 11 de junho de 2019

Organização para o desenvolvimento

Resultado de imagem para society

Acabou-se o tempo em que o gestor público falava em seu discurso: “Vou fazer, vou criar, vou…”. Os gestores perceberam que eles não fazem nada sozinhos sem estarem amparados por uma equipe séria e qualificada e o apoio popular. Digo isto por experiência. Na Universidade tenho reuniões periódicas com alunos bolsistas e estagiários e realizo encontros chamados de “tempestade de ideias”. Nestas reuniões eles expõem seus pensamentos e raciocínio lógico e o meu papel passa a ser de coordenar e filtrar as ideias. E das várias ideias expostas surgem linhas de raciocínio interessantes que aplicamos em nossas pesquisas. Oscar Niemeyer idealizou o Museu de Arte Contemporânea de Niterói desenhando em um guardanapo, tomando um chopp em um boteco, sentado na orla da praia. As ideias surgem assim, de conversas e diálogos com as pessoas e suas experiências pessoais.
Quando falamos de gestão ambiental em um município ou região parece simples, afinal, basta reflorestar para recuperarmos os solos e as nascentes, aumentando a quantidade e a qualidade das águas dos rios e o retorno dos animais silvestres, mas o processo é mais complexo do que parece. Toda a logística é ampla, desde a definição das espécies sucessórias, os recursos financeiros, a participação das pessoas das zonas urbana e rural e de instituições públicas e privadas. Com o início das discussões devemos organizar as ideias, definir etapas de planejamento, calcular os investimentos necessários e, finalmente, chegando a parte mais difícil do programa: iniciar a sua execução e acompanhamento do processo. Deve-se evitar que aconteça o mesmo que ocorre com a maioria dos projetos em nosso país que são iniciados, mas não concluídos, com desgaste dos gestores e muitas vezes, dinheiro jogado no ralo.
Este é o papel do verdadeiro gestor: saber ouvir, saber organizar e saber conduzir as atividades em parceria com os membros de sua gestão e com a sociedade. Apesar da crise que o país atravessa, sabemos que recursos existem, afinal fazemos parte da sociedade que mais paga impostos no mundo. Com a integração e o diálogo do setor público, o setor privado e a sociedade, com certeza teremos uma melhor situação ambiental, social e econômica que promoveria o nosso desenvolvimento. As soluções dos nossos problemas não estão nos gabinetes, mas na sociedade organizada.