AGROPECUÁRIA, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
quarta-feira, 29 de maio de 2019
quarta-feira, 22 de maio de 2019
sábado, 18 de maio de 2019
terça-feira, 14 de maio de 2019
domingo, 5 de maio de 2019
quinta-feira, 25 de abril de 2019
A Samarco, o Estado e os recursos: problema de gestão?

Ser produtivo, desenvolver a agricultura, a pecuária, a indústria, gerar
trabalho e renda, investir em infra estrutura básica, melhorar a qualidade de
vida da população e, paralelo a tudo isto, proteger e recuperar o meio ambiente.
Temos diante de nossos olhos uma equação complexa, difícil de resolver, mas não
impossível. Toda a atividade econômica, obviamente, deve ser rentável aos seus proprietários e
acionistas mas, não pode estar dissociado
da qualidade de vida e da renda
de seus funcionários, seus familiares,
das comunidades próximas que são
impactadas diretamente pelas suas atividades, do meio ambiente, sempre muito
impactado pelos sistemas produtivos e
dos impostos que, teoricamente, são revertidos para o benefício do Estado e da
Nação. Mas como as empresas associam o seu
faturamento com a efetivação de várias destas ações, elas dependem da
oscilação dos valores dos seus produtos no mercado interno e
externo, das variações das taxas de câmbio, do preço da matéria prima além de
outros fatores de menor peso. Dentre estes diversos aspectos, a ponderação da
empresa sob a tutela e fiscalização do Estado devem ser integradas e
discutidas visando os ganhos financeiros
do empregador, dos empregados, os ganhos sociais das comunidades e os ganhos
ambientais.
Vamos analisar o exemplo da mineradora Samarco. A maior tragédia
ambiental mundial causada por uma
mineradora que apresentou um lucro líquido em 2014 de R$ 2,8 bilhões. Os
investimentos na prospecção, extração, tratamento e transporte do minério são
elevados e de alta tecnologia, visando uma exploração mais eficiente, mas o
sistema de deposição dos rejeitos é o
mesmo de décadas atrás ou, séculos. Onde estão os estudos e a implantação de projetos de
reaproveitamento de rejeitos? Comparando
os custos de implantação do saneamento básico de todas as cidades da bacia do
Rio Doce em relação a coleta e tratamento de esgoto e construção de aterros
sanitários com o lucro líquido da empresa em um único ano levamos um susto. O
custo estimado para sanear a bacia do Rio Doce está em torno de 1,5 bilhão de
reais, quase a metade do lucro líquido total da empresa em 2014. Por conta da falta de investimentos em
pesquisa e desenvolvimento de aproveitamento de resíduos, a empresa agora irá gastar
algo em torno de R$ 20 bilhões para recuperar a bacia, realizar a compensação
ambiental e ressarcir os danos causados as populações. Imaginem se existisse
uma política adequada na empresa para uso do rejeito como matéria prima para
processos produtivos. Dez por cento do dinheiro que eles irão gastar para tentar
voltar a situação anterior a tragédia já seria o suficiente para sanear toda a
bacia.
O nosso atual sistema desenvolvimentista e capitalista baseado em lucros exorbitantes e deficiência de
investimentos em tecnologia industrial precisa de mudanças urgentes para
deixarmos de ser considerados uma mera colônia fornecedora de mão de obra e
recursos naturais.
quarta-feira, 24 de abril de 2019
quarta-feira, 17 de abril de 2019
quarta-feira, 10 de abril de 2019
terça-feira, 9 de abril de 2019
sábado, 6 de abril de 2019
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Natureza: santo remédio para nossa saúde e qualidade de vida
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, mais
precisamente na Universidade da Califórnia, confirmou um fato que todos nós já
sabíamos: viver próximo a áreas verdes reduz os riscos de doenças mentais em jovens
e em idosos. Segundo a pesquisa, a queda na incidência de doenças mentais é de
36% nas pessoas que vivem em áreas com, pelo menos, 25% de cobertura vegetal
arborizada. É claro que outros fatores devem ser analisados nesta correlação de
variáveis, mas os resultados da pesquisa confirmam que, dentre o conjunto de
fatores que compõem a qualidade de vida das pessoas, o meio ambiente é um dos
principais.
As políticas públicas e os planos de governos
municipais dos nossos gestores raramente colocam o meio ambiente como um dos
fatores principais de investimento, na realidade, só investem se “sobrar” dinheiro
em caixa, fato peculiar no Brasil considerando que são raras as contas públicas
municipais que ficam no azul.
O meio ambiente urbano deveria ser visto no
Brasil como prioridade em qualquer plano diretor ou plano de desenvolvimento municipal.
Todo cidadão gostaria de ter próximo a sua casa uma área verde para caminhar,
se exercitar, ouvir os pássaros, sentar no gramado olhando para o céu e as
nuvens. Esquecer por alguns momentos seus problemas pessoais e financeiros. São
momentos que podem ajudar o indivíduo a refletir e a buscar uma saída, uma
solução para seus problemas. Em frente à minha janela, no segundo andar aqui de
casa tem um ipê. Por volta das 18 horas algumas aves ocupam seus galhos e
iniciam uma grande cantoria. Cantam
voltados para o por do sol, como um agradecimento por aquele dia. Neste momento
eu paro por alguns minutos o meu trabalho e fico observando as aves e a paz que
toma conta de meu ser é impressionante. Após este momento de reflexão sobre a
vida e a natureza volto revigorado as minhas atividades. Faz bem a minha saúde?
Com certeza sim!
A população brasileira merece ter uma melhor
qualidade de vida. Milhões de brasileiros trabalham duro todos os dias sem ter
direito a uma saúde digna, educação digna e uma qualidade de vida digna. O seu
esforço, desprendido nas atividades laborais diárias serve apenas para mante-lo
vivo mas sem nenhuma expectativa. O homem faz parte do meio ambiente, somo
integrados a ele. Criamos um habitat artificial com uma série de serviços e
tecnologia para melhorar as nossas vidas mas que estão nos levando cada vez
mais as doenças urbanas como tristeza, depressão e até mesmo ao suicídio. Ver e
ouvir o som da natureza não tem preço.
sexta-feira, 29 de março de 2019
terça-feira, 26 de março de 2019
Palestra consumo consciente de água
Palestra realizada na empresa Consórcio Infracon RFJ - Renova, com o tema "Consumo consciente da Água" no Distrito Industrial em Governador Valadares
sexta-feira, 22 de março de 2019
Dia mundial de uma água que não existe mais

Grande
parte da água do planeta, cerca de 97% é salgada e encontra-se nos mares,
sobrando 3% de água doce. Destes 3%, cerca de 70% encontra-se nas calotas
polares ou na forma de neve espalhada pelo planeta e os demais 30% na forma
líquida. Destes 30%, 96% são águas subterrâneas e apenas 4% superficial em rios
e lagos. Destes 4% o Brasil detém 12% de toda esta água doce superficial do
planeta. Resumindo; temos muito de nada. Durante anos aprendemos na escola que
o Brasil possui o maior manancial de água doce superficial do planeta com
muitos rios e lagos. Para melhorar a análise 70% desta água está na bacia
amazônica. Resumindo; temos muito de nada. Sempre vendemos uma imagem errada da
disponibilidade de agua, desta forma, durante séculos, nunca nos preocupamos com
o seu consumo. Mas nas últimas décadas a população aumentou, o consumo de água aumentou,
a quantidade de água doce superficial reduziu e a sua qualidade piorou. A redução
da sua qualidade ao longo dos anos tem acontecido de forma lenta e gradual, mas
recentemente, a intensificação das atividades industriais, a ampliação dos
processos de mineração no Estado, a ausência de uma legislação protetiva efetiva
dos recursos hídricos e as tragédias com barragens que tem ocorrido promoveram não
apenas uma redução da qualidade da água mas uma impossibilidade de seu uso considerando
o grau de poluição aguda, principalmente com o rompimento das barragens de
rejeitos.
No rastro
deste impacto surgem os conflitos. Em 2015 com o rompimento da barragem de
Mariana e a contaminação das águas do rio Doce, a maior cidade da bacia do Rio
Doce em relação ao tamanho de sua população, Governador Valadares, totalmente
dependente do rio Doce viveu um intenso conflito pela água. Em uma região de
elevada temperatura e com poucas chuvas as pessoas ficaram sem água para até
mesmo para beber. Alguém já viu caminhão pipa escoltado pela polícia? Alguém já
viu idosos e crianças serem roubados nas ruas, mas não roubo de relógio,
carteiras ou celulares, mas roubo de garrafas de água mineral com poucos
litros? Alguém já viu pessoas implorando
aos militares, separados por uma tela de arame, um pouco de água porque estava
fraco e com muita sede e sem ter onde buscar água para beber? Alguém já presenciou
um rio com toneladas de peixes mortos exalando um mal cheiro insuportável por
conta da decomposição destes animais?
Dizem que o
brasileiro tem memória curta mas quem vive a tragédia nunca esquece.
Infelizmente deveríamos aprender com as tragédias como ocorre com os acidentes aéreos
onde os peritos buscam as causar para que ela não se repita. No Brasil isto não
acontece. Ocorreu em Mariana e a mesma tragédia aconteceu em Brumadinho. Na
realidade, pior ainda pois morreram centenas de pessoas. Enquanto os poderes econômico
e político predominarem no país, dificilmente mudaremos este quadro e os conflitos
pela água tenderão a aumentar cada vez mais.
quinta-feira, 7 de março de 2019
domingo, 3 de março de 2019
Os agrotóxicos são verdadeiramente vilões????
Acredito que
a grande maioria das pessoas já ouviu a seguinte frase: “o que distingue o
remédio do veneno é a sua dose”. Se um médico prescreve um remédio controlado
em determinada dose ela deve ser seguida para que o seu uso possa trazer
benefícios. Temos os seus efeitos colaterais que, dependendo do paciente, podem
surgir promovendo até mesmo a suspensão do seu uso. Caso seja utilizada dose
abaixo do recomendado não teremos o efeito do remédio e se forem utilizadas muito
acima do recomendado podem causar grandes danos à saúde ou levar até mesmo a
morte. Neste caso quem seria o vilão da história? O médico que prescreveu o
medicamento de forma correta, o remédio que está ali para melhorar e até mesmo
salvar a sua vida ou o usuário que não utilizou da forma adequada? No caso do
agrotóxico ocorre da mesma forma: o Engenheiro Agrônomo que recomenda; o
produto químico que é adquirido no mercado e o produtor que deve utilizar na
forma recomendada. Temos ainda um outro agravante: enquanto o remédio utilizado
de forma inadequada pode comprometer a vida de uma pessoa, o agrotóxico utilizado
inadequadamente pode comprometer e trazer sequelas a vida de milhares de
pessoas que consumiram aquele alimento.
O Brasil é
um país essencialmente agropecuário e o maior exportador mundial de produtos
oriundos das atividades agropecuárias. Associados a isto temos um clima quente
e úmido com o cultivo sendo realizado por todo o ano, diferente dos Estados
Unidos e Europa que são limitados pelo clima, principalmente com os invernos
rigorosos. Nestas condições podemos afirmar que é praticamente impossível
cultivar extensas áreas e obter altas produtividades sem o uso de produtos
químicos para controle de pragas, doenças e plantas invasoras. E mesmo com o
uso dos agrotóxicos durante o sistema de produção das culturas, os produtos
agropecuários do Brasil quando exportados, são rigorosamente analisados em relação
a contaminantes químicos antes do desembarque no país de destino. Caso seja
identificado algum produto acima do permitido a carga não entra no país. Ou
seja, o agrotóxico é utilizado no campo e ao final, na colheita, o produto já
deverá estar totalmente degradado, sem resíduos. Infelizmente não temos este
mesmo controle rigoroso para a comercialização no mercado interno.
Nas
pequenas propriedades rurais a implantação da agricultura ecológica, sem uso de
agrotóxicos, é perfeitamente viável mas complexo, sendo importante a
assistência técnica de um profissional da área para orientação pois diversos
aspectos devem ser considerados como redução da produtividade das culturas,
aspecto dos produtos e comprometimento da sustentabilidade financeira da
família. Outro ponto importante está na fiscalização dos produtos orgânicos pois
muitos agricultores vendem produtos como orgânicos mas que na prática foram
cultivados de forma convencional. No próximo artigo vamos conversar sobre os
verdadeiros problemas do uso de agrotóxicos para o pequeno e o grande produtor rural.
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