segunda-feira, 4 de junho de 2018

O SEU ALIMENTO ESTÁ MATANDO VOCÊ?


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Todos nós procuramos balancear a nossa alimentação visando a melhoria da qualidade de vida. Procuramos alimentos saudáveis e não industrializados para compor o nosso prato, principalmente os hortigranjeiros. Folhosas verdes, cenoura, beterrabas, dentre outros produtos. Em muitos casos, visando evitar a perda dos nutrientes, consumimos os alimentos in natura. Tomate, couve, cenoura, dentre outros.  Mas, como temos a vida corrida no dia a dia, adquirimos estes produtos diretamente das gondolas dos mercados, produtos que desconhecemos o seu sistema de produção.  A produção dos alimentos da horticultura não é simples e fácil, principalmente em sistemas comerciais. É preciso uma grande quantidade de mão de obra e gastos com sementes, fertilizantes, irrigação e agrotóxicos. Estas culturas são muito sensíveis ao ataque de pragas e doenças e, para o consumidor, mais importante que o preço é a aparência do produto.  Para o produtor, quanto pior a aparência do produto menor será o seu ganho e, em muitos casos, prejuízo.  Para evitar as perdas de produção e na venda dos seus produtos usa-se os agrotóxicos para controlar as pragas e doenças.  Muitos destes agrotóxicos são aplicados de forma preventiva, ou seja, antes da praga ou doença aparecer.  Isto ocorre porque depois que o dano for causado não tem volta, mesmo que eu elimine o agente que causou o dano.  Por exemplo, uma lagarta que se alimentou de uma folha de couve formando vários buracos. Elimino a lagarta mas os buracos continuarão. Por conta disto o produtor rural tem que evitar que a lagarta apareça se desenvolva, antes que ela inicie o dano na folha.
Como a carga de agrotóxicos nestes produtos no campo é elevada, muitas vezes, o produto chega a gondola do mercado com resíduos de agrotóxicos acima do permitido, conforme podemos observar em vários estudos feitos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA.  O fato de ingerirmos os alimentos crus, in natura, é saudável pelo aspecto nutricional mas pode ser um problema se o alimento possuir resíduos de agrotóxicos. Devemos lembrar que a ingestão destes alimentos contaminados dificilmente causará danos imediatos, mas a médio e longo prazo, principalmente com a ingestão continuada. Alguns pesquisadores defendem a teoria de que a maioria das doenças como tumores e câncer nas pessoas de idade mais elevada são derivadas principalmente da alimentação por conta de alterações celulares causadas pelos agrotóxicos residuais. No próximo artigo daremos continuidade ao assunto.

domingo, 3 de junho de 2018

AS ABELHAS: RENDA E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL


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Toda a vida no planeta interage de alguma forma. As plantas, os animais, os insetos e, até mesmo, o homem. As plantas, por exemplo. Para que a maioria consiga reproduzir de forma natural e criar suas variações genéticas é preciso que o pólen produzido pela parte masculina da flor atinja o estigma, que é a parte feminina, processo chamado de polinização.  Em seguida o óvulo é fecundado, produzindo-se as sementes. Em alguns casos, o vento faz esta função, mas os principais agentes polinizadores são os insetos, e dentre eles temos as abelhas. Ao buscar pólen e néctar nas centenas de flores que visita em um único dia, faz a troca de uma infinidade de materiais genéticos, criando a diversidade genética, muito importante para o equilíbrio do meio ambiente. Mas, o homem percebeu que este minúsculo inseto não é importante apenas para as plantas mas também pelo que produz. As abelhas vivem em uma sociedade altamente organizada onde os seus membros são concebidos para funções específicas na colmeia como as rainhas, as operárias e os zangões. Esta comunidade produz uma série de substâncias muito utilizadas pelo homem como as ceras que compõem a base estrutural da colmeia; a própolis, um antibiótico natural que tem a função de proteger a colmeia da infestação de fungos e bactérias; a geleia real, um mel especial utilizado para alimentar a rainha, e o principal: o mel, utilizado para alimentar as futuras operárias que estão se desenvolvendo na colmeia.

                No Brasil, a abelha mais utilizada para o processo de produção de mel é a Apis melifera, derivada do cruzamento da abelha africana com a européia. Descobrimos o potencial do país para produção de mel nas últimas décadas. Em 1990 estávamos na 25º posição mundial em relação a produção de mel e atualmente somos o 10º maior produtor de mel.  As características físico-químicas do mel mudam de acordo com alguns fatores, mas principalmente por conta das flores que as abelhas utilizam. Flor de eucalipto, flor de laranjeira, flor de assa peixe, alteram a cor e o sabor do mel. Em 2016, o setor faturou no Brasil, mais de 470 milhões de dólares e as exportações superando as 24 mil toneladas. O mel brasileiro é considerado orgânico por conta do nosso sistema de produção que não envolve qualquer tipo de controle químico artificial. Por conta disto, o mel brasileiro é considerado de excelente qualidade e muito aceito no mercado europeu, exigente em relação ao sistema de produção. Nos Estados Unidos, o maior consumidor de mel do planeta, a exigência dos consumidores pela sua qualidade tem comprometido a comercialização do mel composto, onde o mel puro é misturado com xarope de milho ou de cana.

O Brasil apresenta condições climáticas e ambientais extremamente favoráveis a produção de mel como as temperaturas, a umidade, a luminosidade e a vegetação. Em regiões onde o desmatamento é intenso e existem grandes monocultivos, a produção de mel pode ser prejudicada, considerando que as plantas florescem ao mesmo tempo, deixando longos períodos sem a presença de flores para serem utilizadas pelas abelhas e o uso indiscriminado de agrotóxicos que intoxicam e matam as abelhas. O país pode facilmente se tornar o maior produtor de mel do planeta, desde que aprenda a conservar o seu meio ambiente e a sua vegetação, matéria prima básica para a produção deste “ouro líquido”.

sábado, 2 de junho de 2018

TERRA, PLANETA ÁGUA

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Iniciamos este texto pelo título: “terra, planeta água”. Este é o título de uma música do cantor e compositor Guilherme Arantes e foi apresentada ao público no Festival MPB Shell de 1981. A trinta e sete anos atrás, Guilherme Arantes expressou em uma música todo o seu sentimento por este líquido essencial para a vida. Cantou o ciclo das águas no planeta e a sua importância para todos nós, mas que também pode trazer destruição pelas enchentes e inundações. Uma música fantástica concebida em um período onde não havia muita preocupação no país em relação a este patrimônio natural. Apenas para fins comparativos, a Política Nacional de Recursos Hídricos no Brasil foi sancionada em 1997, dezesseis anos depois da apresentação da música no festival.
 Realmente, o planeta terra é um planeta água com 67% de sua superfície coberta por mares. Mas temos também água nos rios, lagos, geleiras, águas subterrâneas, nos solos e nas rochas. O Brasil é um país, de certa forma, privilegiado. Temos 15% de toda a água doce superficial do planeta e os dois maiores aquíferos subterrâneos em quantidade de água: o aquífero Guarani localizado nas regiões Centro Oeste, Sudeste e Sul do país e o Walter do Chão, localizado na região amazônica. Mas, apesar de termos 15% de toda água de rios e lagos do planeta, temos duas questões para serem analisadas. A primeira é que a quantidade de água dos rios e lagos do planeta é muito pequena, apenas 0,0025% ou seja, temos 15% de quase nada. Outro ponto está associado a distribuição da água. Cerca de 80% dela está na região Norte do Brasil. As regiões mais populosas como o Nordeste e Sudeste apresentam um grande déficit hídrico. Para agravar a situação, a população destas regiões tem aumentado anualmente assim como o consumo de água, mas na contramão, temos uma redução da oferta de água pela natureza com redução das chuvas e da vazão dos rios.   
A redução das chuvas, da sua distribuição e que, por consequência acarreta a redução da vazão dos rios, é em grande parte, causada pelo homem; pelo impacto que promove no meio ambiente. Estes impactos alteram significativamente o ciclo hidrológico de diversas regiões do Brasil. No país, os regimes climáticos são bem definidos com períodos chuvosos e períodos secos. Para que a água esteja disponível no período seco do ano, ela precisa ser armazenada no período chuvoso, e a grande caixa d’água da natureza chama-se solo. Mas para que ela, a água, possa penetrar no solo, ser armazenada nos aquíferos subterrâneos e disponibilizada lentamente para rios e lagos através das nascentes, precisamos da vegetação que protege este solo e permite que a água penetre até as camadas mais profundas. Quando retiramos as florestas e matas de lugares estratégicos como nas áreas mais íngremes e topo de morros, os solos sofrem intensos processos de erosão, perdendo a capacidade de armazenar água, comprometendo a atividade agropecuária e o abastecimento público. No Vale do Rio Doce e Mucuri é comum cidades decretarem estado de emergência ou calamidade por conta da falta de água no período seco.  
A água não desaparecerá do planeta. Ela continuará por aqui por mais alguns milhões de anos, mas se não revertermos o quadro de degradação ambiental que vivemos, em breve será muito difícil viver em determinadas áreas do Brasil. E não podemos esquecer que a nossa região está na lista.



A GUERRA QUÍMICA DAS PLANTAS DE EUCALIPTO

A RELAÇÃO DO EUCALIPTO COM O CONSUMO DA ÁGUA DOS SOLOS