AGROPECUÁRIA, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
As mineradoras e o descaso com as pesquisas científicas
Todos que trabalham com ensino
superior nas universidades, professores, alunos de graduação, mestrado,
doutorado e pós doutorado, pesquisadores de centros de pesquisa público ou
privado, dentre outros que trabalham com
pesquisa e desenvolvimento tecnológico estão constantemente se atualizado em
relação as novidades do desenvolvimento tecnológico nas suas áreas, consultando
artigos científicos, dissertações, teses, relatórios de pesquisa e até mesmo,
alguns excelentes trabalhos de conclusão de graduação, os famosos TCCs. Muitas
informações ficam disponíveis na web para consulta dos que tem interesse em
suas áreas de desenvolvimento.
Fazendo uma pequena varredura no
sistema de informações científicas, deparei com inúmeros trabalhos científicos
além de dissertações de mestrado e teses de doutorado abordando o tema rejeitos
da mineração, sendo a grande maioria sobre caracterização e reaproveitamento
destes resíduos para diversas finalidades, principalmente a construção civil.
Muitos deles, com certeza, poderiam ser transformados em projeto piloto para
verificação de sua viabilidade técnica e econômica e posterior aplicação no
mercado. São projetos de fabricação de tijolos, casas, leitos de estradas,
dentre outros, todos envolvendo o uso dos rejeitos de mineração. Todos projetos
desenvolvidos dentro de nossas universidades e centros de pesquisa. Mas temos
um gargalo sério que é o interesse das empresas nestes projetos. Geralmente as
grandes empresas, incluindo as mineradoras investem em tecnologia de produção
de exploração mas quando apresentamos projetos envolvendo seus resíduos a
grande maioria não tem interesse porque demandará gastos sem retorno econômico.
Desta forma, elas se limitam a cumprir a nossa legislação que é falha e que
autoriza, por exemplo, a construírem barragens a montante para deposição de
seus rejeitos que são verdadeiras bombas prestes a explodir como podemos verificar
em Minas Gerais e suas oito barragens de
rejeitos que se romperam nos últimos 15 anos.
Dificilmente uma empresa
mineradora apoia e aplica resultados de projetos produzidos em universidades
referentes a trabalhos com seus resíduos. Muitas vezes para nós pesquisadores
fica difícil até mesmo conseguir os resíduos para desenvolvermos as pesquisas.
Passou da hora das universidades, os representantes das empresas, a Federação
das Indústrias de Minas Gerais, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais, sentarem
a mesa para discutir os rumos que queremos para os resíduos industriais,
principalmente os da mineração aqui em Minas Gerais. Centenas já morreram por
conta deste descaso e milhares vivem no interior do Estado como refém do medo
sem saber qual será a próxima barragem a romper e ceifar mais vidas.
domingo, 27 de janeiro de 2019
Minas Gerais, a prostituta da mineração
O nome do
nosso Estado, Minas Gerais, tem um significado histórico: terra rica em
minérios e de todos os tipos: ouro, prata, diamantes, rochas calcárias e
fosfato para agricultura, os granitos mais bonitos do planeta para a construção
civil e minério de ferro em abundância. O município de Teófilo Otoni no Vale do
Mucuri por exemplo, é considerado a capital mundial das pedras preciosas. Esta abundância
de riquezas minerais atraiu a ganância da coroa portuguesa por séculos durante
o período colonial. O tempo passou, as tecnologias de exploração foram
evoluindo, novos minerais e locais de mineração foram descobertos atraindo
agora a atenção das empresas privadas do Brasil e do mundo, infinitamente mais
gananciosas que a coroa portuguesa de séculos atrás. Cursos de água são desviados,
lençóis freáticos e artesianos destruídos para uso na extração do minério e
transporte pelos mineriodutos. O que sobra do processo, o que não é pouco, é
descartado em barragens de rejeitos com dezenas de milhões de metros cúbicos. Para termos ideia da proporção do que estamos
discutindo imaginem um campo de futebol que possui aproximadamente 10 mil
metros quadrados cercado lateralmente e depositássemos rejeitos de mineração
até atingir um milhão de metros cúbicos. Teríamos uma coluna de 100 metros de
altura. Em Mariana o vazamento foi de 50 milhões de metros cúbicos, ou seja,
esta mesma coluna de rejeitos sobre um campo de futebol teria cinco mil metros
de altura. Agora imaginem centenas de barragens de rejeitos espalhadas por todo
o Estado causando não apenas danos ao meio ambiente mas matando pessoas e
destruindo tudo pela frente durante os rompimentos de seus taludes. Várias barragens
de rejeitos romperam nos últimos anos em Minas Gerais como
as de Rio Pomba, Mirai, Itabira, dentre outras que também causaram mortes e destruição
ao meio ambiente. Temos um processo de extração de minério de primeiro mundo
mas seus rejeitos são tratados da mesma forma que 100 anos atrás. Quando deixaremos
verdadeiramente de ser colônia de alguém cobrando racionalidade de todo o processo???
domingo, 16 de dezembro de 2018
Educação ambiental: temos que começar pelos pequenos

“Ensina a
criança o caminho que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará
dele.” Esta é uma passagem bíblica e pode ser encontrada em Provérbios, Capítulo
22. E uma outra passagem bíblica em Efésios Capítulo 6: “E vós pais, não provoqueis
a ira dos vossos filhos, mas educai-os de acordo com a disciplina e o conselho
do Senhor”. As passagens bíblicas, apesar de escritas há milhares de anos
atrás, se aplicam cada vez mais aos nossos dias de hoje. As crianças são formadas
tomando como base seu ambiente familiar, a escola e a sociedade do seu entorno.
A quase totalidade delas será reflexo desta sociedade que a acolheu durante a
sua formação e compreensão do que é certo ou errado. A cabeça de uma criança não
é local de experiências sociais e de comportamento mas um grande espaço de aprendizado
sobre o que realmente é certo ou errado; direitos e deveres para uma vida harmônica
em sociedade. Para que isto ocorra é dever da sociedade, da família, da escola
e do poder público cuidar da formação ética, moral e educacional desta criança
mas, infelizmente o Brasil falha, e muito, neste processo. Vamos discutir neste
texto apenas o quesito meio ambiente. Não temos nas grades curriculares das
escolas a disciplina Educação ambiental. O conteúdo deste assunto é discutido
na área de ciências, de forma resumida e teórica, sendo considerado de pouca relevância
em muitas escolas. As crianças valorizam muito os ensinamentos iniciais pois
possuem pouca ou nenhuma base para os questionamentos, sendo a informação certa
ou errada, tomando ela como verdadeira. É o momento de ensinarmos a coisa
certa, aprendizado que levará para o resto de sua vida. As crianças devem
aprender a montar e conduzir uma horta, aprender sobre a sua dinâmica com o
solo, as minhocas, os insetos e no final, se alimentar do que foi produzido com
o seu esforço. Plantar uma árvore frutífera, cuidar dela, e após alguns poucos
anos colher e se alimentar de seus frutos; compartilhar com seus colegas de
escola, levar para casa e compartilhar com a família e doar para seus vizinhos.
Brincar na árvore que lhe forneceu os frutos; observar o aumento do número de
aves com seus diferentes cantos, que se alimentam destes mesmos frutos e fazem
seus ninhos; aproveitar de sua sombra aprendendo que debaixo de uma árvore o
ambiente é mais fresco do que debaixo de qualquer telhado ou laje de concreto. Mudar
cabeça de adulto é difícil, mas as crianças estão com a mente aberta para o
aprendizado. As mudanças no comportamento da sociedade em relação ao meio
ambiente é uma via de longo prazo, mas temos que começar o mais rápido possível
pois estamos ficando sem tempo.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
Por que as árvores caem mais nas zonas urbanas?
O
paisagismo urbano é um alivio ao estresse da vida urbana sendo percebido pelas
pessoas e neste sistema incluímos as árvores. As árvores de porte médio ou alto
de grandes copas e folhagens, além do papel estético e visual tem grandes funções
práticas nas zonas urbanas compostas pelos asfaltos das ruas e concretos das
construções, uma delas é aliviar o calor em dias quentes. Enquanto o asfalto e
o concreto absorvem o calor e irradiam para o ambiente as folhas refletem esta radiação
de volta para a atmosfera. Por isto que na sombra de uma árvore a temperatura é
mais amena quando comparada a sombra de uma marquise. Se formos escrever sobre
todos os atributos de uma árvore para a nossa qualidade de vida nas cidades renderia
um grande livro. Mas, apesar de todos os benefícios, alguns fatos devem ser observados
a respeito delas. Em primeiro lugar não podemos esquecer que as árvores são seres
vivos e dependem das condições ambientais para se desenvolver e sobreviver. São
atacadas por pragas e doenças nas folhas, caules e nas raízes, fragilizando-as
ao longo dos anos, tornando verdadeiras armadilhas para carros, fiações, casas
e até mesmo para os pedestres. Existem espécies específicas para arborização urbana,
principalmente as plantadas ao longo das vias urbanas e passeios públicos. As
árvores, de preferência, não podem produzir frutos, desfolhar totalmente no
período do inverno, ter raízes de desenvolvimento tabular que quebram calçadas
e tubulações, dentre outros fatores importantes que compatibilizam as árvores
aos centros urbanos. Mas observamos que os ventos fortes que atinge as cidades
tem derrubado as árvores de forma intensa nas áreas dos passeios públicos,
quebrando o seu tronco ou arrancando-as com as raízes. Em ambientes urbanos,
quando uma árvore é arrancada pela raiz verificamos alguns pontos importantes como
o reduzido aprofundamento das raízes devido a compactação do solo do local para
implantação das tubulações de água, esgoto, rede pluvial, do asfalto e das
calçadas. O crescimento do sistema radicular das árvores deve acompanhar o
crescimento da parte aérea para manutenção do equilíbrio e resistência, mas em
ambiente urbano não temos verificado este comportamento fato que compromete a resistência
aos ventos fortes. Outro ponto que observamos é a presença de raízes
apodrecidas decorrentes da morte pela falta de oxigenação das mesmas causada
pela impermeabilidade dos solos nas áreas urbanas e a presença de pragas
subterrâneas que atacam as raízes conduzindo a morte parcial desta estrutura comprometendo
a sua resistência aos ventos. As árvores são fundamentais na qualidade de vida
nos centros urbanos, mas a falta de cuidado e manutenção pode torna-las
armadilhas perigosas.
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